Este é o segundo piano que publico nestas páginas. Piano mais reservado que o outro, mas um piano universitário.
Num dos edifícios históricos do Mackenzie, este piano também espera quem o toque. Desta vez, alguém a caminho de uma aula, ou de saída do campus, pode escutá-lo. Parar um segundo, um minuto, para escutar quem o estiver a dedilhar.
Música, banda sonora, trilha sonora para um estudo que queremos profícuo.
Nestes tempos de amargura para dólares e euros, o Real em alta tem aberto muitas portas de negócio e janelas para investimento. Mas e para nós, que todos os dias vivemos em Real?
São Paulo, Quarta-feira de Cinzas, 08h30. A hora de ponta não acordou e, como ela, os milhares de pessoas que todos os dias se dirigem para o trabalho ficaram em casa.
Assim é bom circular pela cidade. Tão bom como numa manhã de um comum domingo. Ao contrário do que acontece em Portugal, aqui não se trabalha na manhã de Quarta-feira de Cinzas. Fim de festa, rija, curam-se as ressacas e prepara-se o jejum de Quaresma.
Até um outro Domingo, onde amêndoas e ovos serão os protagonistas de uma outra festa.
(“Marcha da Quarta-feira de Cinzas” de Carlos Lyra, por Vinícius e Toquinho)
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
P.S. Escrevo do escritório, onde começarei mais uma jornada de trabalho. Sorrindo e cantando é claro!
Resultado de uma composição casual de avanços, recuos, alturas e outros elementos com uma q.b. quantidade de céu à mistura, ela teria tudo para se considerar feia.
Talvez assim o seja. Mas acostumei-me a olhá-la e a reparar nas suas diferenças ao longo de um dia, de uma semana, de um ano. Como muda do dia para a noite. Como muda do Verão para o Inverno.
Aprendi a vê-la como quem vê um quadro, uma pintura, e nela detecta as diferenças de luz, cor, texturas.
Esta é a minha pintura, fotografia, pendurada numa das paredes aqui em casa.
Segunda segunda-feira após as festas e as férias. O dia-a-dia regressou à sua plena rotina. Até o Pai Natal (belo golpe publicitário), depois de todos os afazeres da época , anda “blue”.
Se perguntarmos a um qualquer paulistano onde fica a Praça Portugal, a resposta mais provavelmente escutada será “Praça quê?”
A resposta não é reflexo de uma qualquer animosidade para com o nosso país. Afinal temos, nesta cidade, uma praça com o nosso nome.
Ela revelará algo diferente. A Praça Portugal não passa de um cruzamento entre duas artérias viárias da cidade. Não tem um arranjo paisagístico de realce, diga-se, árvore, arbusto ou relva. Não tem um banco para alguém se sentar. Não tem uma área a que possamos chamar ponto de encontro. Se todos, ou pelo menos um, (d)estes elementos em falta são utilizados para caracterizar uma praça, então porquê desperdiçar tal digna homenagem num X?
Tenho reparado que, nesta cidade, vários cruzamentos são batizados com o mesmo termo “Praça” seguido de um nome ou objeto a que se pretende homenagear. Uma simples consulta no Google Maps confirma essa tendência.
Passará a resposta a tal desperdício por uma diferente definição de “praça” que se tem na América Latina?
P.S. A Praça Portugal designa o cruzamento entre a Avenida Rebouças e o eixo Avenida Brasil-Rua Henrique Schaumann.
Hoje foi dia de almoçarada entre amigos. Um convidado especial, chamado “Brás”, compareceu à mesa.
De presença improvável, mas preparada com antecedência, o “Brás” fez furor nos paladares e estômagos dos restantes convidados. Não se fez de rogado e ainda fez questão de pousar para a fotografia junto do amigo “Casal Garcia”…
É a fila do supermercado e da padaria. É a fila do restaurante. É a fila dos correios, onde nunca consigo aguardar. É a fila da lotérica. É a fila do banco, de 30 minutos, com apenas duas pessoas na frente. É a fila do cinema e do teatro. É a fila do cartório e ainda a do poupa-tempo…
São muitas mais, as filas aqui não enumeradas, para alguém acreditar no que escrevo.
É a fila para o ônibus. E a prova, para quem não acreditar…