São Paulo, Quarta-feira de Cinzas, 08h30. A hora de ponta não acordou e, como ela, os milhares de pessoas que todos os dias se dirigem para o trabalho ficaram em casa.
Assim é bom circular pela cidade. Tão bom como numa manhã de um comum domingo. Ao contrário do que acontece em Portugal, aqui não se trabalha na manhã de Quarta-feira de Cinzas. Fim de festa, rija, curam-se as ressacas e prepara-se o jejum de Quaresma.
Até um outro Domingo, onde amêndoas e ovos serão os protagonistas de uma outra festa.
(“Marcha da Quarta-feira de Cinzas” de Carlos Lyra, por Vinícius e Toquinho)
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
P.S. Escrevo do escritório, onde começarei mais uma jornada de trabalho. Sorrindo e cantando é claro!
pedrinho, não sabia que vc tinha essa veia de poeta! muito bom mesmo!! parabens e tambem achei uma bela homenagem a SP. congratulazione, maria teresa.
Vinícius e Tom são dos meus heróis. Musicalmente falando claro. Ah quando os dois se juntavam… Melhor que orquestra!